Produtos eróticos inovam e acompanham as tendências da tecnologia


De macarrão instantâneo a vibrador hi-tech; de real dolls, passando por hímem descartável. A indústria de objetos eróticos não tem limites e se reinventa, fundando práticas e correndo atrás das sexualidades, que se transformam. Para se ter ideia dessas mudanças, a nova sensação do mercado são as roupas íntimas estimulantes on-line. O smartphone é o intermediário do sexo, os parceiros não precisam mais estarem sob o mesmo teto. Basta o produto e uma boa conexão com a internet.

Tudo em nome do prazer. A sexualidade antes reprimida passou a ser estimulada. Principalmente com as conquistas do feminismo e o desbunde da década de 1960. “O que é próprio das sociedades modernas não é o terem condenado, o sexo, a permanecer na obscuridade, mas sim terem devotado a falar dele sempre, valorizando-o como o segredo”, diz o filósofo francês Michel Foucault em seu livro A História da Sexualidade.

Acompanhar as inovações dos produtos eróticos é saber desses discursos sobre o sexo, que saltam e movem sujeitos. Um grande exemplo é a relação da histeria com o surgimento dos vibradores. A histeria é uma suposta doença que atingia as mulheres. Coisa dos gregos antigos. De acordo com eles, irritabilidade, ansiedade, anestesia, cegueira, dentre outros sintomas eram causados pelo sangue do útero que subia ao cérebro.

História

Já no século XIX, os discursos mudam. A ciência passa a definir o que é sexo, quer percrutar os sujeitos, suas intimidades, seus desejos. Nessa que surge o primeiro vibrador elétrico. Um remédio científico contra a histeria. George Taylor patenteou o primeiro vibrador e o batizou de The manipulator. Pilha? Bateria? Eletricidade? Nada disso, o primeiro vibrador era movido a vapor. Tudo para salvar as mulheres dos fluidos que as paralisavam.

Atualmente a coisa é diferente. Os prazeres são liberados, narrados, vendidos, filmados. Basta ver a série Hysterical Literature no Youtube. A ideia é a seguinte: uma atriz é filmada enquanto lê um conto erótico. Detalhe: ao ler, a garota é estimulada sexualmente por um vibrador. Tudo muito sutil, nada explícito ou vulgar. A graça do vídeo, além de provocar os sentidos, é devolver à história a relação entre os objetos e a sexualidade das mulheres. 

A indústria de produtos eróticos passa por essa discursividade que se levanta de outra forma no século XX. As mulheres se apossaram do seu próprio corpo, os jovens levantaram bandeiras de sexo livre. Casais de namorados fazem sexo em casa. Homossexuais lutam por direitos civis. As lojas de produtos eróticos saíram da clandestinidade e se instalaram de portas abertas nas principais vias das cidades.

Hoje em dia, os brinquedos eróticos não se resumem mais aos vibradores e objetos fálicos. São real dolls, bonecas realistas que emulam mulheres, perfumes afrodisíacos, géis dilatadores, anéis penianos. O ambiente dessas lojas deixa de ser para estranhos solitários e vira preferência dos casais que querem sair do trivial. 

Entrevista Waldyr Gonçalves – Via Sex

 

O empresário Waldyr Gonçalves sabe bem do poder dos artigos eróticos. Quando saiu da direção da Ford Motors, no fim da década de 1990, aproveitou a oportunidade e montou uma filial da Ponto G em Brasília. A loja, de origem californiana, trazia um novo conceito para as lojas de artigos eróticos: a visibilidade. Em 1999 a loja chegou a Goiânia.

“Antes já tinha vários tipos de lojas de produtos eróticos espalhadas no Brasil. O que fizemos foi modificar o conceito deste tipo de loja. Antes eram secretas, escondidas, fechadas. Trouxemos ao país uma franquia, a Ponto G, californiana, que tem esse conceito de ser aberta e amigável”, diz.

Na época em que pensou em trazer uma filial para a capital goiana, alguns conhecidos o alertaram. A cidade seria provinciana para aceitar uma loja com esse perfil. Ledo engano. Deu muito certo. A primeira loja, que fica no Setor Oeste, recebeu o nome de Via Sexy e se tornou uma das maiores do Brasil. 

“Nós implementamos esse modelo em Goiânia e fomos bem felizes. Quando fui abrir, isso em 1999, dizia-se que o povo goiano era bem provinciano. Ledo engano. A cidade entendeu de tal maneira que digo com muito orgulho que essa loja aqui no Setor Oeste é uma das maiores e bem-sucedidas lojas do Brasil, com um estoque variado e grande”, alegra-se.

O segredo do sucesso, além do pioneirismo e simpatia de Waldyr, é estar sempre atento para as novidades e demandas de consumo. E cada vez ficam mais complexas. O empresário mantém relação próxima com os desenvolvedores de artigos eróticos na Califórnia. Procura sempre saber o que está mais avançado na área. “Trabalhamos com importadores direto da Califórnia. O bairro chino de Los Angeles é a meca deste tipo de produto. Uma espécie de Vale do Silício de artigos eróticos. Estão lá os pontas de lanças desse mercado, os designers que criam os conceitos que virarão tendência no mundo. Então, quando eles criam e lançam esses produtos por lá, trazemos simultaneamente para cá”, afirma.

E o estoque da loja é imenso. Tem de tudo dentro do nicho que trabalha. Antes de tudo, porém, faz uma ressalva. Não gosta do nome “sex shop”, pois não vende sexo. Vende artigos eróticos, coisas bastante distintas. Feito o parêntesis, Waldyr volta a falar. Aponta que sempre, desde que começou, os produtos mais vendidos são as lingeries e os lubrificantes. Artigos mais simples para apimentar a relação a dois.

Mas ultimamente a tendência mudou. Culpa da trilogia 50 tons de cinza. O sadomasoquismo light incendiou a mente das mulheres. São algemas almofadadas, chicotinhos suaves. Nada muito grosseiro ou agressivo. Um sado-light, como o empresário gosta de chamar. Mais força para o sexo, mas com elegância. 

 

Fonte: Dm.com

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