Quantas tribos isoladas ainda existem no mundo?


No Peru, membros da tribo isolada Mascho-Piro tentaram contatar ‘forasteiros’ – o que acontece nesse caso?

Editora Globo

Membros da tribo Mascho-Piro, fotografados em 2011.

Na última semana, membros da tribo isolada Mascho-Piro, no Peru, tentaram entrar em contato com ‘forasteiros’. Ainda não se sabe o que motivou o encontro – possivelmente, um descontentamento em relação às rotas ilegais de comércio de drogas que passam em sua reserva. Durante a interação, eles pediram por alimentos e objetos como cordas.

No passado, a mesma comunidade sempre evitou o contato com estranhos, fugindo de qualquer um que se aproximasse. E agora fica a questão – como responder corretamente a essa tentativa de contato e quantas dessas tribos isoladas ainda existem no mundo?

Não é possível dar um número exato de populações completamente isoladas. No Brasil o governo identificou 77 tribos através de pesquisas aéreas e conversando com pessoas vizinhas. Segundo a organização Survival International (que luta pelos direitos dos indígenas), no mundo todo devem existir cerca de 100 dessas tribos – fora do Brasil a maior parte delas fica no Peru e algumas em Nova Guiné. Também há suspeitas de que existam algumas dessas comunidades na Malásia e na África Central.

E com a exploração como é possível que eles não tenham tido nenhum contato com o mundo? De acordo com Rebecca Spooner, da Survival International, existe o contato indireto – a comunidade isolada conversa com membros de outras tribos que interagem com o exterior. Ao mesmo tempo, muitas dessas tribos já tiveram experiências ruins no contato historicamente, vendo seus territórios sendo explorados, e se tornaram isoladas voluntariamente. Os próprios Mascho-Piro foram vítimas de um genocídio em 1980.

Quando as tribos decidem terminar seu isolamento existe uma polêmica – qual é a melhor forma de se aproximar dessas pessoas, para não prejudicá-las? Atualmente, leis no Peru (e no Brasil também) proíbem o contato com essas pessoas a não ser em casos de ameaça à vida. Mas quando as tribos decidem terminar seu isolamento (normalmente por se sentirem ameaçados pela sociedade ao redor) a ideia é fazer com que eles passem a confiar nos antropólogos, mostrar que um contato pacífico pode ser feito com o mundo exterior.

A interação não é apenas um trauma psicológico – as pessoas da tribo adquirem doenças (principalmente respiratórias) por serem expostas a patógenos com os quais não tinham contato normalmente. Outro grande problema é a inserção na sociedade moderna. Por não conseguirem se adaptar ao mercado de trabalho convencional, eles acabam marginalizados.

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