Governo exclui “grande parte dos cineastas”


A Associação de Realizadores de Cinema e Audiovisuais (ARCA) contesta, em comunicado divulgado hoje, o projeto do secretário de Estado da Cultura de “excluir grande parte dos cineastas” da respectiva secção do Conselho Nacional de Cultura (CNC).

Governo exclui grande parte dos cineastas

No comunicado enviado à Lusa, a ARCA afirma que o secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, se “prepara para excluir grande parte dos cineastas da Secção Especializada do Cinema e do Audiovisual (SECA), do Concelho Nacional de Cultura (CNC)”.

Esta associação “opõe-se terminantemente” à medida que “contraria os mais elementares princípios da representatividade da sociedade nos centros de decisão, ao excluir dezenas de cineastas com obra feita, e que sempre defenderam e defendem o direito de todas as tendências, sem exceção, no cinema português”.

Na SECA estão representadas duas associações de realizadores, mas, segundo a ARCA, “Barreto Xavier pretende excluir uma dessas associações”.

Segundo o mesmo documento, a SECA, entre outras atribuições, “vai passar a eleger os membros dos júris que vão decidir sobre os projetos de cinema que terão condições para serem filmados”.

A ARCA alerta para o facto de que estas associações “desde há muito representam duas visões radicalmente diferentes sobre os critérios que devem orientar os apoios públicos ao cinema e ao audiovisual”.

Para a ARCA “trata-se de uma opção que se reveste de um carácter eminentemente político, porque pode vir a silenciar, no CNC, uma forma de ver e fazer cinema que tem lutado para trazer de volta os portugueses às salas de cinema e que advoga a criação de um mercado e de uma indústria do cinema na linha das políticas – e dos resultados – da maioria das outras nações europeias”.

Adianta a ARCA que o secretário de Estado da Cultura “pretende excluir também do CNC a Academia das Artes e Ciências Cinematográficas (APC), que reúne mais de 100 associados de todas as tendências estéticas” e “a Sociedade Portuguesa de Autores que representa os interesses dos autores de cinema e audiovisual”.

Segundo a ARCA a justificação apresentada por Barreto Xavier é a “impossibilidade de a SECA incluir todas as representações do sector”.

A associação de realizadores salienta que, no entanto, “no caso das televisões generalistas, todas estejam representadas”, enquanto a “representação desta associação só acrescente um membro aos 18 que a compõem, todos sem remuneração”.

A ARCA afirma que “o sector do cinema se encontra bloqueado há dois anos” e recorda que “o FICA [Fundo de Investimento no Cinema e no Audiovisual] nunca foi reposto nem avaliado, correndo-se o risco de perder cerca de 60 milhões de euros para a atividade, já de si gravemente depauperada”.

Segundo a associação, “as televisões privadas recusam-se a pagar a taxa a que estão obrigadas [e] a RTP está longe de assegurar o apoio que tem obrigação de prestar ao cinema português”.

A Agência Lusa contactou o gabinete do secretário de Estado da Cultura sobre estas questões, e continua a aguardar uma resposta.

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