Melhor memória da natureza, golfinhos reconhecem “nomes” após 20 anos


Melhor memória da natureza, golfinhos reconhecem "nomes" após 20 anos

Jason Bruck, pesquisador da Universidade de Chicago, grava sons de um golfinho no jardim zoológico de Brookfield, perto de Chicago, nos Estados Unidos.

A fama pode ser do elefante, mas quem tem a melhor memória do reino animal é outro mamífero. Biólogos da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, descobriram que os os golfinhos conseguem reconhecer o som específico do “assobio” escutado até 20 anos atrás. Esse ruído característico está ligado à identidade de cada um, funcionando como um nome para a espécie.

Isso significa que os golfinhos têm a melhor capacidade de memorização da vida social entre todos os animais da natureza, ficando atrás apenas dos seres humanos, destaca artigo publicado nesta terça-feira (6) na prestigiada revista da Sociedade Real Britânica, a Proceedings B. 

A equipe de Jason Bruck gravou sons de alguns dos 53 golfinhos que viveram em seis tanques diferentes ao longo de décadas e os reproduziram para outros animais – os pesquisadores tinham os registros dos grupos que haviam convivido nos criadouros em diferentes épocas. 

Quando ouviram os assobios gravados, os animais tiveram reações diferentes dos sons que já haviam escutado e dos que ouviram pela primeira vez. Eles “se mostraram entediados rapidamente quando ouviam a assobios inéditos” e empolgados quando reconheciam o ruído antigo, demonstrando uma “resposta imediata”.

“Ao ouvir o som de um golfinhos conhecido, eles rapidamente nadavam para próximo do alto-falante”, conta Bruck. “Eles chegavam até a dar rodopios e a assobiar de volta, esperando estabelecer diálogo.”

O cientista citou o caso de Allie ee Bailey, que tinham respectivamente 2 e 4 anos quando viviam juntas no Dolphin Connection, no arquipélago de Keys, na Flórida.

Allie vive atualmente no zoológico de Brookfield, perto de Chicago (EUA), e Bailey está no Dolphin Quest, nas Bermudas. Depois de 20 anos e seis meses do último contato entre as duas, Bailey conseguiu reconhecer o assobio de Allie na gravação.

Para o cientista, a memória dos animais pode ser considerada até mais duradoura do que a que seres humanos, porque o assobio do golfinho permanece estável por várias décadas, enquanto o rosto humano muda com o passar do tempo. “O estudo revela um animal com capacidade cognitiva e memória social somente comparável à de humanos.”

Entretanto, o porquê de os golfinhos possuírem memória tão duradoura permanece um mistério. Esses animais têm conexões sociais sofisticadas e na vida selvagem, por muitas vezes, trocam de cardume após longos períodos de convivência. Por isso, pode ser que tenham desenvolvido uma memória para essa capacidade.

“É importante para os golfinhos rememorarem os animais que eles já tiveram convivência para decidir se eles são ou não indivíduos dos quais eles querem se aproximar. Eles fazem isso a partir de uma milha de distância quando ouvem os assobios e decidem se querem ou não se aproximar daquele indivíduo”, explica Bruck à BBC.

O estudo reforça a grande capacidade cognitiva dessa espécie, mas diz que a capacidade de lembrar fatos seja apenas uma faceta de um cérebro avançado, que pode ter sido desenvolvida por outras necessidades.

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