Testemunha revela nova versão para homicídio na periferia de Piracicaba


Ajudante de pedreiro disse que um GM e não uma agente atirou em jovem.
Após morte na última quinta-feira, os moradores do Bosques se revoltaram.

Testemunha revela nova versão para homicídio na periferia de Piracicaba (Foto: Fernanda Zanetti/G1)

Testemunha aponta marca de sangue na rua onde jovem foi alvejado no Bosques

Um ajudante de pedreiro de 20 anos que disse ter testemunhado na quinta-feira (1) a morte de um jovem no bairro Bosques do Lenheiro, em Piracicaba (SP), afirmou que um guarda municipal foi o autor do disparo. A versão contraria depoimentos de outros moradores do bairro, que informaram à Polícia Civil que uma agente da corporação teria atirado contra Frederico Alves de Jesus, de 23 anos. O tiro acertou a cabeça do rapaz. A morte desencadeou protestos no bairro, que terminaram em confronto com a Polícia Militar e dois ônibus queimados. O comando da Guarda “não conta com a possibilidade” de um guarda ter atirado no rapaz.

Frederico Alves de Jesus foi morto durante confronto no Bosques do Lenheiro, em Piracicaba (Foto: Fernanda Zanetti/G1)
Frederico Alves de Jesus, de 23 anos, foi morto
com tiro na cabeça.

A testemunha ouvida pela reportagem pediu para não ser identificada e falou que o tiro foi à queima-roupa. Segundo o relato do ajudante de pedreiro, um veículo da GM atropelou a vítima e, na sequência, o guarda municipal saiu do carro e atirou. Isso teria ocorrido a 600 metros de distância de uma área verde invadida, cuja ocupação motivou a ida do Pelotão Ambiental da GM ao bairro para a remoção das famílias que erguiam moradias no local.

“A desapropriação estava acontecendo na Rua Seis, mas os guardas ficavam passando e fazendo terrorismo nas outras ruas”, afirmou a testemunha ao G1, que detalhou o momento do disparo. “Tinha um grupo de pessoas indo para cima dos guardas. Então, uma viatura passou e o grupo se dispersou. Naquele momento, o rapaz morto saiu da casa de um parente e ficou sozinho na frente da viatura, que o atropelou. Na sequência, o guarda saiu do carro e atirou”.

De acordo com a versão relatada pelo ajudante de pedreiro, o guarda que efetou o disparo deixou o local acompanhado de uma agente feminina, que também estava na viatura. “Foi muito triste ver a mãe dele, uma senhora de idade, chorar a morte do filho. Foi quando a população se revoltou e ateou fogo nos ônibus. A chegada da PM foi importante para ajudar os moradores, que estavam revoltados com a atuação da GM”, afirmou.

Como foi a ocorrência
O conflito no bairro começou por volta de 17h30 de quinta-feira. Um dos veículos incendiados é da empresa Monte Alegre e transportava funcionários de uma empresa. O outro ônibus era da empresa Piracema e era usado para o transporte coletivo. O prejuízo da Piracema foi de R$ 250 mil, segundo a Associação das Empresas do Transporte Urbano de Piracicaba (Aetup).

As chamas dos ônibus atingiram a rede elétrica do Bosques do Lenheiro, que teve o fornecimento de energia interrompido. A assessoria de imprensa da CPFL Paulista informou em nota que 2.881 imóveis daquela localidade ficaram às escuras a partir das 18h37.

Silas Romualdo negou que homicídio tenha sido causado por GM de Piracicaba (Foto: Thomaz Fernandes/G1)
Silas Romualdo negou que um guarda tenha
atirado no rapaz.

Outro lado
O comandante da Guarda Municipal de Piracicaba, capitão Silas Romualdo, afirmou no final da tarde desta sexta-feira (2) que”não conta com a possibilidade” de um guarda ter atirado em Frederico Alves de Jesus. Em entrevista coletiva, o oficial afirmou que 17 guardas armados entraram no bairro para dar suporte ao Pelotão Ambiental na remoção das famílias da área invadida. “Como encontraram resistência, chamaram reforço”, disse.

Romualdo afirmou que o pelotão estava de saída do bairro sob pedradas e disparos de rojão quando uma guarda feminina teria visto Alves de Jesus caído no chão. “Os guardas disseram que tentaram socorrer o homem ferido, mas não puderam por causa das agressões da população”, completou. A GM abriu sindicância interna. Todos os guardas civis que participaram da ação passaram por perícia residuográfica e tiveram as armas recolhidas, segundo nota da corporação, que informou que aguardará os resultados da Polícia Científica sobre as perícias.

Testemunha revela nova versão para homicídio na periferia de Piracicaba (Foto: Reprodução/Google)
Rapaz foi morto a 600 metros (ponto B) da área invadida no Bosques (ponto A).
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