Naturatins autoriza monitoramento de peixes no Parque Estadual do Cantão


Cantão é área de reprodução e engorda da bacia do Araguaia.

O Parque Estadual do Cantão é um dos sítios mais ricos em variação de peixes do planeta. Com 271 espécies, além de igapós e 850 lagos, é uma importante área de reprodução e engorda da bacia do Araguaia. Por essa razão, o Instituto Araguaia – IA realizará durante 24 meses o monitoramento da ictiofauna do Parque. A autorização para a pesquisa foi concedida pelo Instituto Natureza do Tocantins – Naturatins, órgão gestor da unidade de conservação, e conta ainda com o apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.

O trabalho, com início previsto para setembro, possui como linha temática ações e pesquisa para a conservação de espécies e comunidades silvestres em ecossistemas naturais. A proposta é monitorar as populações do pirarucu e dos characiformes, ordem do grupo das piranhas, que compõem a base da pirâmide trófica do Cantão, realizando contagens anuais e caracterizando sua dispersão através de marcação-recaptura. 

Os locais específicos de realização do projeto contemplam a base de pesquisas do Instituto Araguaia, no interior do Parque, em zona de acesso restrito a pesquisadores; Lago do Cega-Machado, também no interior do Parque, recentemente aberto a uso público; e entorno, onde ocorre a pesca esportiva e comercial. O monitoramento permitirá a pesquisa de lagos que não são invadidos há mais de uma década e sua comparação com aqueles mais impactados pela pesca.

“Iniciativas como esta, bem como o apoio do Instituto Araguaia em outros trabalhos, vêm para somar esforços nas ações de proteção à biodiversidade do Parque Cantão, e acredito que este trabalho subsidiará outras ações, principalmente neste momento em que o Parque abre suas portas para visitação pública”, destacou o presidente do Naturatins, Alexandre Tadeu Rodrigues.

De acordo com o projeto apresentado pelo IA, os resultados do trabalho serão complementados pelo acompanhamento dos parâmetros físicos do ambiente aquático e da população de ariranhas da área de pesquisa, que o Instituto Araguaia estuda desde 2010.

Para a pesquisadora e diretora do Instituto Araguaia, Silvana Campello, a expectativa é que o projeto venha a ser a fundação do primeiro programa de monitoramento de ictiofauna em longo prazo numa unidade de conservação amazônica, e que assim contribua para a proteção da biodiversidade do Cantão.

Captura
O projeto propõe a marcação de cerca de três mil indivíduos com posterior tentativa de recaptura para comprovação do desenvolvimento do indivíduo e dispersão das espécies.

O manejo dos peixes será de acordo com as regras estabelecidas no projeto – anzol sem fisga, utilização de luvas e sem retirá-los da água. O tempo de pescaria será sempre igual e pré-determinado.

Marcação
Os peixes capturados receberão uma marca de identificação feita de plástico muito fino, contendo um número que indica o dia, a hora e o local da marcação. Esse procedimento utiliza uma pistola própria para esse fim, colocada de forma a não machucar o animal, e será feito somente por um pesquisador do IA previamente treinado para isso. Esse profissional estará todo o tempo presente na embarcação junto com o pescador.

Recaptura
A recaptura ocorrerá nos lagos onde os peixes foram marcados previamente, utilizando o mesmo procedimento inicial. Também serão feitos esforços de recaptura de peixes em áreas do rio do Côco e do rio Araguaia, onde a pescaria é autorizada.

É importante ressaltar que apenas técnicos do Instituto Araguaia e voluntários do projeto, com base em suas habilidades técnicas, farão parte da equipe, dentro de normas rigidamente implantadas.

Além da equipe de trabalho, o projeto contará também com o apoio das comunidades do entorno do parque. A proposta é recompensar com R$ 10,00 o pescador que encontrar o marcador, o que ajudará no controle de dispersão dos peixes.

Enquanto o projeto se concentrará na captura e recaptura dos peixes characídeos, como piranhas e pacus, por sua desproporcional relevância na cadeia alimentar do Cantão, serão também reservadas cerca de 500 marcas para tucunarés e outros peixes maiores de valor comercial. 

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