Partido do governo acena com plebiscito sobre parque na Turquia.


Governistas deram ultimato para manifestantes deixarem local em Istambul.
Reurbanização de parque gerou duas semanas de violentos protestos.

Advogados manifestam apoio aos manifestantes antigoverno nesta quarta-feira (12) na capital turca, Ancara (Foto: AFP)

Advogados manifestam apoio aos manifestantes antigoverno nesta quarta-feira (12) na capital turca, Ancara.

O partido governista da Turquia, o AK, ordenou que os manifestantes deixem imediatamente o Parque Gezi, em Istambul, e afirmou que está avaliando fazer um referendo sobre o plano de reurbanização do local. O projeto provocou duas semanas de violentos protestos de rua no país.

“Nós poderemos submeter esta questão a uma votação popular em Istambul (…) na democracia, apenas a vontade do povo interessa”, declarou em Ancara o vice-primeiro-ministro Huseyin Celik, após uma longa reunião entre Erdogan e alguns representantes dos manifestantes.

“Aqueles com más intenções ou que querem provocar e ficar no parque, vão enfrentar a polícia”, disse Celik.

Erdogan recebeu 11 membros da delegação, composta principalmente de artistas, acadêmicos e arquitetos, na sede do Partido Justiça e Desenvolvimento (AKP), constatou um jornalista da AFP.

O Solidariedade Taksim, a plataforma de 116 partidos e associações que animam o movimento pela preservação do Parque Gezi, denunciou nesta quarta-feira a reunião, para a qual diz não ter sido convidada.

“Anunciamos que nenhum membro da Solidariedade Taksim foi convidado a participar das negociações”, indicou em um comunicado. “Essas reuniões não terão resultados enquanto a polícia continuar a fazer uso da violência e as autoridades negarem o direito à vida ao parque Gezi e seus arredores”, ressaltaram.

O anúncio na segunda-feira pelo governo desta reunião foi seguido no dia seguinte por um brutal ataque policial contra manifestantes reunidos na praça Taksim, ao lado do parque Gezi.

Os ativistas também reiteraram suas exigências: o abandono do projeto, o fim da repressão contra os manifestantes e a renúncia de seus responsáveis, a libertação de manifestantes presos e o abandono de todas as acusações contra eles.

Advogados protestam

Centenas de advogados lotaram o saguão de entrada do Palácio da Justiça de Istambul, gritando slogans de protesto contra a detenção de seus colegas na véspera em uma manifestação de apoio aos protestos do Parque Gezi, segundo a Reuters.

“Promotor, renuncie”, “Todo lugar é Taksim, todo lugar é resistência”, “lado a lado contra os fascistas”, gritavam os advogados, vestidos com as becas do tribunal, alguns brandindo os punhos, outros aplaudindo.

“A polícia está intervindo de modo ilegal contra cidadãos que estão exercendo seu direito constitucional e democrático de protestar”, disse o presidente da Associação de Advogados de Istambul, Umit Kocasakal, em um comunicado para a multidão.

A noite trouxe alguns dos piores confrontos desde que os tumultos começaram. A polícia disparou gás lacrimogêneo contra milhares de pessoas reunidas na Taksim, incluindo pessoas em roupas de escritório que tinham se reunido depois do trabalho, alguns com famílias com crianças.

A multidão se dispersou pelas ruas estreitas na região, deixando que um grupo de manifestantes voltasse, acendesse as fogueiras e jogasse pedras contra canhões de água. A polícia então lançou gás lacrimogêneo outra vez, o ciclo se repetindo até que o número de manifestantes diminuísse.

Um grupo de 500 advogados fez uma marcha de protesto em Ancara e houve protestos menores de advogados em outras cidades.

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