Disciplina e atividades terapêuticas são características de casas de recuperação de dependentes químicos ligadas a igrejas evangélicas, diz jornal.


 

A recuperação de dependentes químicos através de entidades ligadas a igrejas evangélicas não é unanimidade entre especialistas, devido às diversas metodologias empregadas nas denominadas casas de recuperação.

Apesar das diversas comunidades que prestam esse serviço serem reconhecidas pela sociedade, a variação de atividades e a ausência de profissionais especializados em determinadas áreas em algumas dessas casas é visto como um ponto a ser revisto.

O jornal Folha de S. Paulo publicou uma reportagem especial no último domingo, 26 de maio, sobre a rotina dos dependentes químicos abrigados pela casa de recuperação Conquista, localizada em Itapecerica da Serra, cidade da região metropolitana de São Paulo.

Nesta instituição, os internos possuem horários pré-determinados pela direção da casa e obrigações a cumprir durante o dia, além de praticarem atividades terapêuticas e receberem medicação e alimentação em horários rotineiros.

A reportagem mostrou que a maioria dos internos sofreram com o vício no crack, e segundo a direção da casa, apenas 50% dos dependentes que iniciam o tratamento concluem o programa. Muitos não resistem à ausência da droga e sofrem recaídas ainda durante o período estipulado para a recuperação.

Há no Brasil, de acordo com um censo do Ministério da Justiça, 1.830 comunidades terapêuticas voltadas para a recuperação de dependentes químicos, e boa parte dessas são vinculadas a igrejas evangélicas.

“O grande diferencial das comunidades terapêuticas é, justamente, a ênfase colocada na espiritualidade. O objetivo é que por meio da religião o indivíduo encontre a si próprio e encontre forças para superar o vício”, diz Elisaldo Carlini, membro do comitê de peritos sobre drogas e álcool da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Entretanto, o trabalho dessas entidades é questionado devido ao recebimento de verbas públicas: “Quando a gente envolve o dinheiro público no tratamento é complicado ter um modelo onde o indivíduo tem que celebrar rituais”, critica o professor da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, Luís Fernando Tófoli.

Entretanto, apesar da restrição quanto à religião, há o reconhecimento do trabalho dessas entidades: “Elas praticam a reabilitação: parar de usar drogas e restabelecer valores básicos de vida. Por isso elas podem transmitir valores universais de espiritualidade”, defende Ronaldo Laranjeira, coordenador do Programa Recomeço, iniciativa do Governo do Estado de São Paulo para a reabilitação de dependentes químicos.

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