Menores controlam o tráfico de drogas em avenida de Sorocaba, SP.


Usuários chegam a fazer fila para comprar droga no Parque das Laranjeiras.
Autoridades policiais falam sobre as ocorrências no bairro.

O TEM Notícias flagrou a rotina de traficantes, a maioria deles menores de idade, em uma avenida movimentada na zona norte de Sorocaba (SP). A comercialização é feita à luz do dia e os usuários chegam a fazer fila para comprar drogas.

O flagrante foi feito pela equipe de reportagem da TV TEM, na Avenida Ulisses Guimarães, no bairro Parque das Laranjeiras. Moradores inconformados fizeram a denúncia.

O que mais surpreende é que a venda de cocaína na via é controlada por menores. Os compradores chegam a fazer fila com os carros, para adquirir droga. A via, por onde passam cerca de 20 mil veículos todos os dias, criada como ligação entre a zona norte e a região industrial da cidade, tornou-se reduto do tráfico de drogas.

Segundo a polícia, os menores fazem o serviço de ‘vapor’, como é conhecido no meio policial. Eles atuam como vendedores responsáveis por negociar diretamente com os usuários, sendo eles os que mais correm risco de flagrante diante das abordagens policiais.

Uma tática usada pelos adolescentes é não ficar com a droga, evitando assim o flagrante. Quando um usuário faz o pedido, o produto é apanhado em um esconderijo, entre os vários que os traficantes fizeram ao longo da avenida.

Tráfico é flagrado na Avenida Ulisses Guimarães, no Parque das Laranjeiras em Sorocaba (Foto: Reprodução/TV TEM)

Usuários fazem filas de carros para comprar droga no local.

Com uma câmera escondida, a equipe do TEM Notícias conversou com um jovem. Ele conta que tem uma rotina diária de quase 12 horas, a serviço do tráfico.

As imagens flagraram que uma das vendedoras mais ativas é  uma menina de 16 anos, grávida. Sem saber que está sendo filmada, ela revela que trafica esporadicamente. A equipe do TEM Notícias flagrou que são raras as abordagens policiais.

Algumas vezes, viaturas passam em frente aos pontos de tráfico, mas não param. Em outras oportunidades a verificação é feita, mas nada de ilícito é achado com os menores.

Os menores apontam que o lucro rápido é o que atrai tantos adolescentes para o tráfico. Um deles explica que a maior parte do lucro é do dono da droga e que eles chegam a receber R$ 500 por dia.

Um jovem explica que, embora os menores disputem cada ponto de venda de droga na avenida, toda a mercadoria pertence ao mesmo chefe do tráfico. “Aqui é tudo para o mesmo patrão. É um dono só que tem”, revela o adolescente, que diz ainda que o chefe do tráfico não é do bairro.

Segundo a Guarda Civil Municipal, em 2012, 90 pessoas foram detidas no local. Nos três meses de 2013 foram 15 flagrantes, com 68 menores apreendidos. Nas ações da Polícia Militar foram 38 detidos em 2012. Neste ano foram três casos, sendo que 13 eram adolescentes.

Segundo o comandante interino da Polícia Militar, tenente Alexandre Oliveira, as operações estão sendo intensificadas na Avenida Ulisses Guimarães, principalmente para tentar identificar quem comanda o tráfico no local.

“Existem várias operações que são feitas, principalmente, no limite da Ulisses Guimarães. Operações conjuntas com a Guarda Municipal também são feitas. As pessoas chefes do tráfico são monitoradas, acompanhadas pelo sistema de inteligência da polícia. Em cima disso, são feita as operações pontuais, buscando a detenção desses líderes, traficantes chefes, para evitar o aliciamento de menores no tráfico”, explica.

A Guarda Civil Municipal também atua no patrulhamento da Avenida Ulisses Guimarães. A intenção é encontrar os locais onde a droga é escondida pelos pequenos traficantes, conta Benedito Zanin, comandante da GCM. “A GCM tem vasculhado esses locais, jardins e ciclovias, para ver se localiza a droga enterrada. Nós temos conhecimento desse modo operante desses traficantes”.

De acordo com o delegado seccional da Polícia Civil, Marcelo Carriel, é justamente a falta de punição que faz com que estes adolescentes voltem rapidamente para o crime. “Essa apreensão é momentânea, é só no momento em que o menor foi surpreendido com o entorpecente. É levado à delegacia, formalizada a ocorrência, e logo em seguida, questão de horas, é liberado. Para haver o  recolhimento do menor é preciso que haja violência no ato, como roubo, homicídio ou latrocínio”, conclui o delegado.

 

Fonte: G1

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