Crianças e adolescentes de reserva ambiental aprendem a viver de um jeito sustentável.


Ensinar as crianças e jovens a cuidar da natureza é uma das medidas que ajuda a RDS Tumbira a ‘sobreviver’ às mudanças climáticas frequentes.

Estudantes Geovana Garrido e Eliene Soares são duas das moradoras da RDS Tumbiras inscritas no projeto, onde aprendem a plantar e cuidar de espécies vegetais

Estudantes Geovana Garrido e Eliene Soares são duas das moradoras da RDS Tumbiras inscritas no projeto, onde aprendem a plantar e cuidar de espécies vegetais.

Aprender a plantar e cuidar para que espécies frutíferas e vegetais nasçam é uma rotina na vida de adolescentes como Geovana Garrido, 13, aluna do 9º ano, e Eliene Soares de Macedo, 16, aluna do 1º ano do ensino médio. Moradoras da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Tumbira, no Rio Negro, a uma hora e 20 minutos de voadeira da capital, as meninas têm aulas do ensino formal e, nas horas vagas, aprendem não só a cultivar sementes, mas a valorizar a natureza para evitar que as mudanças climáticas visíveis, tanto nas áreas urbanas quanto rurais, não sejam ampliadas.

A atividade de Geovana vem ao encontro da mudança de atitude do pai dela, o presidente da comunidade onde eles moram, Roberto de Mendonça, 38, que desde jovem era um depredador da natureza, derrubando árvores para vender a madeira. Hoje, capaz de “enxergar”, como diz, os “efeitos perversos” da ação, ele planta espécies perenes como Andiroba, Copaíba e outras para tentar repor o que destruiu sem pensar no futuro dos próprios filhos e dos demais moradores da comunidade.

“Naquele tempo, eu pensava que isso nunca ia acabar, mas era uma ilusão porque se derrubarmos não vamos ter no futuro”, afirmou ele que, juntamente com os demais moradores da comunidade, recebe os recursos do Programa Bolsa Floresta, cuja aplicação é coordenada pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS), com o objetivo de capacitar o associativismo e melhorar a qualidade de vida da comunidade. O Bolsa Floresta tem o objetivo de compensar as populações por não desmatar a floresta.

TÉCNICA

A gestora da comunidade e da escola Tomás Eugênio, da RDS Tumbira, a bióloga Inês Cristina Alencar, 29, destaca que o trabalho com as crianças é ampliado por conta da conscientização sobre a importância da preservação. “Eles aprendem a valorizar a natureza”, conta ela, reconhecendo que, há alguns anos, a postura ali era de destruir, derrubar, mas hoje é diferente. “As crianças ensinam os pais, servem de exemplo e cobram as mudanças de atitude”, assegura ela, lembrando que, na reserva, desde a pesca até a derrubada de árvores é feita sob manejo.

De acordo com a FAS, do ponto de vista econômico, atividades como o manejo do pirarucu, madeira, castanha, cacau, açaí e borracha, entre outros, aumentaram a renda familiar e melhoraram a vida de comunidades distantes e empobrecidas como a Tumbira, que saiu do quadro de campeã de devastação, para modelo de desenvolvimento sustentável, com receitas “temperadas” pelos próprios moradores, incluindo entre eles as crianças e adolescentes, que vêm se tornando papel fundamental na preservação do meio ambiente.

Mudanças climáticas deixam efeitos negativos

Impactos na agricultura, na saúde, com o aumento de doenças transmitidas por vetores, além do aumento de incêndios e da poluição atmosférica são alguns dos efeitos causados pelas mudanças climáticas, que afetam principalmente as crianças.

Em Manaus, por exemplo, apesar das dezenas de igarapés cortando toda a cidade, nenhum deles serve para o uso doméstico. Próximo de alguns, no entanto, é possível ver crianças brincando e mantendo contato com o lixo jogado neles diuturnamente pela população, que os trata como depósito do que não presta.

De acordo com o estudo “Mudanças Climáticas em áreas urbanas: implicações para a adaptações em países de baixa e média renda”, publicado pela organização não-governamental britânica International Institute for Environmental and Development (IIED), queimadas, diminuição da quantidade e da qualidade da água e aumento no preço dos alimentos afetam mais as crianças, mais vulneráveis aos efeitos desses problemas.

Por isso, investir na infância é a estratégia de sucesso dos países que chegaram ao desenvolvimento, diz o engenheiro florestal Leandro Pinheiro, 47, da FAS, revelando que nas comunidades estão em funcionamento 58 escolas municipais nas quais o material escolar é focado na realidade dos comunitários e o objetivo é educá-los para a sustentabilidade.

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